Exercício 1
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[...] O que mais a impressionou no passeio foi a miséria geral, a falta de cultivo, a pobreza das casas, o ar triste, abatido da gente pobre. Educada na cidade, ela tinha dos roceiros ideia de que eram felizes, saudáveis e alegres. Havendo tanto barro, tanta água, por que as casas não eram de tijolos e não tinham telhas? Era sempre aquele sapê sinistro e aquele "sopapo" que deixava ver a trama de varas, como o esqueleto de um doente. Por que, ao redor dessas casas, não havia culturas, uma horta, um pomar? Não seria tão fácil, trabalho de horas? E não havia gado, nem grande nem pequeno. Era raro uma cabra, um carneiro. Por quê? Mesmo nas fazendas, o espetáculo não era mais animador. Todas soturnas, baixas, quase sem o pomar olente e a horta suculenta. A não ser o café e um milharal, aqui e ali, ela não pôde ver outra lavoura, outra indústria agrícola. Não podia ser preguiça só ou indolência. Para o seu gasto, para uso próprio, o homem tem sempre energia para trabalhar. As populações mais acusadas de preguiça, trabalham relativamente. Na África, na Índia, na Cochinchina, em toda parte, os casais, as famílias, as tribos, plantam um pouco, algumas coisas para eles. Seria a terra? Que seria? E todas essas questões desafiavam a sua curiosidade, o seu desejo de saber, e também a sua piedade e simpatia por aqueles párias, maltrapilhos, mal alojados, talvez com fome, sorumbáticos!...
Pensou em ser homem. Se o fosse passaria ali e em outras localidades meses e anos, indagaria, observaria e com certeza havia de encontrar o motivo e o remédio. [...]
Como no dia seguinte fosse passear ao roçado do padrinho, aproveitou a ocasião para interrogar a respeito o tagarela Felizardo. [...]
— Bons dias, "sá dona".
— Então trabalha-se muito, Felizardo?
— O que se pode.
— Estive ontem no Carico, bonito lugar... Onde é que você mora, Felizardo?
— É doutra banda, na estrada da vila.
— É grande o sítio de você?
— Tem alguma terra, sim senhora, "sá dona".
— Você por que não planta para você?
— "Quá sá dona!" O que é que a gente come?
— O que plantar ou aquilo que a plantação der em dinheiro.
— "Sá dona tá" pensando uma coisa e a coisa é outra. Enquanto planta cresce, e então? "Quá, sá dona", não é assim.
Deu uma machadada; o tronco escapou: colocou-o melhor no picador e, antes de desferir o machado, ainda disse:
— Terra não é nossa... E "frumiga"?... Nós não "tem" ferramenta... isso é bom para italiano ou "alamão", que governo dá tudo... Governo não gosta de nós...
Desferiu o machado, firme, seguro; e o rugoso tronco se abriu em duas partes, quase iguais, de um claro amarelado, onde o cerne escuro começava a aparecer.
Ela voltou querendo afastar do espírito aquele desacordo que o camarada indicara, mas não pôde. Era certo. Pela primeira vez notava que o self-help do Governo era só para os nacionais; para os outros todos os auxílios e facilidades, não contando com a sua anterior educação e apoio dos patrícios.
E a terra não era dele? Mas de quem era então, tanta terra abandonada que se encontrava por aí? Ela vira até fazendas fechadas, com as casas em ruínas... Por que esse acaparamento, esses latifúndios inúteis e improdutivos?
A fraqueza de atenção não lhe permitiu pensar mais no problema. Foi vindo para casa, tanto mais que era hora de jantar e a fome lhe chegava.
Encontrou o marido e o padrinho a conversar. Aquele perdera um pouco da sua morgue, havia mesmo ocasião em que era até natural. Quando ela chegou, o padrinho exclamava:
— Adubos! É lá possível que um brasileiro tenha tal ideia! Pois se temos as terras mais férteis do mundo!
— Mas se esgotam, major, observou o doutor.
Dona Adelaide, calada, seguia com atenção o crochet que estava fazendo; Ricardo ouvia, com os olhos arregalados; e Olga intrometeu-se na conversa:
— Que zanga é essa, padrinho?
— É teu marido que quer convencer-me que as nossas terras precisam de adubos... Isto é até uma injúria!
— Pois fique certo, major, se eu fosse o senhor, aduziu o doutor, ensaiava uns fosfatos...
— Decerto, major, obtemperou Ricardo. Eu, quando comecei a tocar violão, não queria aprender música... Qual música! Qual nada! A inspiração basta!... Hoje vejo que é preciso... É assim, resumia ele.
Todos se entreolharam, exceto Quaresma que logo disse com toda a força d'alma:
— Senhor doutor, o Brasil é o país mais fértil do mundo, é o mais bem dotado e as suas terras não precisam "empréstimos" para dar sustento ao homem. Fique certo!
— Há mais férteis, avançou o doutor.
— Onde?
— Na Europa.
— Na Europa!
— Sim, na Europa. As terras negras da Rússia, por exemplo.
O major considerou o rapaz durante algum tempo e exclamou triunfante:
— O senhor não é patriota! Esses moços...
O jantar correu mais calmo. Ricardo fez ainda algumas considerações sobre o violão. À noite, o menestrel cantou a sua última produção: "Os Lábios da Carola". [...] Olga tocou no velho piano de Dona Adelaide; e, antes das onze horas, estavam todos recolhidos.
Quaresma chegou a seu quarto, despiu-se, enfiou a camisa de dormir e, deitado, pôs-se a ler um velho elogio das riquezas e opulências do Brasil.
A casa estava em silêncio; do lado de fora, não havia a mínima bulha. Os sapos tinham suspendido um instante a sua orquestra noturna. Quaresma lia; e lembrava-se que Darwin escutava com prazer esse concerto dos charcos. Tudo na nossa terra é extraordinário! pensou. Da despensa, que ficava junto a seu aposento, vinha um ruído estranho. Apurou o ouvido e prestou atenção. Os sapos recomeçaram o seu hino. Havia vozes baixas, outras mais altas e estridentes; uma se seguia à outra, num dado instante todas se juntaram num uníssono sustentado. [...] Quaresma pôde ler umas cinco páginas. Os batráquios pararam; a bulha continuava. O major levantou-se, agarrou o castiçal e foi à dependência da casa donde partia o ruído, assim mesmo como estava, em camisa de dormir.
Abriu a porta; nada viu. la procurar nos cantos, quando sentiu uma ferroada no peito do pé. Quase gritou. Abaixou a vela para ver melhor e deu com uma enorme saúva agarrada com toda a fúria à sua pele magra. Descobriu a origem da bulha. Eram formigas que, por um buraco no assoalho, lhe tinham invadido a despensa e carregavam as suas reservas de milho e feijão, cujos recipientes tinham sido deixados abertos por inadvertência. O chão estava negro, e carregadas com os grãos, elas, em pelotões cerrados, mergulhavam no solo em busca da sua cidade subterrânea.
Quis afugentá-las. Matou uma, duas, dez, vinte, cem; mas eram milhares e cada vez mais o exército aumentava. Veio uma, mordeu-o, depois outra, e o foram mordendo pelas pernas, pelos pés, subindo pelo seu corpo. Não pôde aguentar, gritou, sapateou e deixou a vela cair.
Estava no escuro. Debatia-se para encontrar a porta; achou e correu daquele ínfimo inimigo que, talvez, nem mesmo à luz radiante do sol o visse distintamente...
Exercício 2
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Exercício 3
Leia o fragmento do romance "O urupês", de Monteiro Lobato e responda às questões:
TEXTO III
[...] a verdade nua manda dizer que entre as raças de variado matiz, formadoras da nacionalidade e metidas entre o estrangeiro recente e o aborígene de tabuinha no beiço, uma existe a vegetar de cócoras, incapaz de evolução, impenetrável ao progresso. Feia e sorna [preguiçosa], nada a põe de pé. [...] Jeca Tatu é um piraquara [caipira] do Paraíba, maravilhoso epítome [resumo] de carne onde se resumem todas as características da espécie. De pé ou sentado as idéias se lhe entramam, a língua emperra e não há de dizer coisa com coisa. De noite, na choça de palha, acocora-se em frente ao fogo para "aquentá-lo", imitado da mulher e da prole. Para comer, negociar uma barganha, ingerir um café, tostar um cabo de foice, fazê-lo noutra posição será desastre infalível. Há de ser de cócoras. [...] [...] Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade! Jeca mercador, Jeca lavrador, Jeca filósofo... Seu grande cuidado é espremer todas as consequências da lei do menor esforço - e nisto vai longe. [...] Um terreirinho descalvado rodeia a casa. O mato o beira. Nem árvores frutíferas, nem horta, nem flores - nada revelador de permanência. Há mil razões para isso; porque não é sua a terral porque se o "tocarem" não ficará nada que a outrem aproveite; porque para frutas há o mato; porque a "criação" come; porque… [...] "Não paga a pena". Todo o inconsciente filosofar do caboclo grulha nessa palavra atravessada de fatalismo e modorra. Nada paga a pena. Nem culturas, nem comodidades. De qualquer jeito se vive.
LOBATO, Monteiro. Urupês. 37 ed. São Paulo: Brasiliense, 2004.
Atividade - Pré-Modernismo
Os Sertões, de Euclides da Cunha
Leia o fragmento e responda às questões.
“O
sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos
mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro
lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o
desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. É desgracioso,
desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica
dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta
a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida,
num manifestar de displicência um caráter de humildade deprimente. A pé, quando
parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a
cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um conhecido, cai
logo sobre um dos estribos, descansando sobre a espenda da sela. Caminhando,
mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança
celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço
geométrico os meandros das trilhas sertanejas. (…) É o homem permanentemente
fatigado.”
CUNHA, Euclides da. Os sertões: campanha de Canudos. Edição Especial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.
1. A principal característica do sertanejo destacada
por Euclides da Cunha é:
a) sua aparência atlética e vigorosa. b) sua fragilidade física e
emocional.
c) sua força e capacidade de resistência. d)
sua elegância e postura corporal.
e) sua adaptação à vida urbana.
2. Como o autor descreve fisicamente o sertanejo no fragmento?
3. A expressão “O sertanejo é, antes de tudo, um
forte” revela:
a) uma visão idealizada do homem urbano. b) uma valorização da força e da resistência
do sertanejo.
c) uma crítica à cultura sertaneja. d)
uma defesa da superioridade dos habitantes do litoral.
e) uma valorização dos padrões estéticos europeus.
4. Por que o sertanejo pode ser considerado um personagem
representativo do Brasil real, característica associada ao Pré-Modernismo?
5. O fragmento apresenta uma característica marcante do Pré-Modernismo ao:
a) valorizar exclusivamente os padrões culturais
europeus.
b) retratar personagens mitológicos e idealizados.
c) abordar aspectos da realidade social e regional brasileira.
d) abandonar completamente os temas nacionais.
e) apresentar apenas sentimentos individuais do autor.
6. Explique o sentido da comparação “Hércules-Quasímodo”
utilizada pelo autor.
7. A expressão “É o homem permanentemente fatigado” contribui para construir a imagem do sertanejo como alguém:
a) acomodado e indiferente à realidade. b) fisicamente debilitado pelas
condições de vida.
c) rico e preocupado com o conforto. d)
adaptado às condições da vida urbana.
e) intelectualmente superior aos demais brasileiros.
8. O Pré-Modernismo é considerado um período de transição para o Modernismo. Que elemento desse fragmento demonstra uma preocupação que será importante para a literatura modernista?
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1- Ligue as frases, usando a conjunção ou locução conjuntiva coordenativa adequada:
a) Ifigênia saiu cedo. Voltou tarde.
b) Cassilda saiu cedo. Não voltou tarde.
c) Creusa saiu cedo. Voltará cedo.
d) Clarice saiu cedo. Precisava ajudar a mãe.
e) Hortência saiu cedo. Hortência saia tarde.
f) Todo mês Luiza vem aqui. Nunca fica.
g) O desejo da morte é um mal. O temor a ela é pior.
h) Trabalhamos muito. Deveremos prosperar.
i) Quero ir. Quero ficar.
j) O padre falou pouco. Disse muitas verdades.
2- Continue:
a) As rosas são belas. Têm espinhos.
b) As são preciosas aos homens. não as destruamos!
c) Os ladrões não nos ofenderam. Não nos ameaçaram.
d) Plantamos. Colheremos.
e) O estudo deve ser constante. Sem saber não há progresso.
f) Susana se veste com roupas caras. Deve ganhar muito bem!
g) Isabel se veste muito mal. Ganha pouco.
h) O dinheiro traz felicidade. O dinheiro traz desgraça.
i) Não insista. Será pior.
j) Marisa não fala em público. Ela tem vergonha.
3- Ligue as frases, usando a conjunção subordinativa adequada ou uma locução conjuntiva de igual valor:
a) O homem era mais forte _____ um touro.
b) _____ chova, iremos à praia.
c) _____ me preocupo, menos vivo.
d) Convém _____ nunca pares de estudar.
e) Gritou tanto, _____ perdeu a voz.
f) Parece _____ o filme causou medo.
g) Não sabemos _____ o povo está feliz.
h) Minha sorte foi _____ não choveu.
i) _____ está chovendo, não vou à praia.
j) Vou à praia, _____ não esteja chovendo.
4- Complete da forma que melhor lhe convier. Classifique as conjunções ou locuções conjuntivas:
a) Irei amanhã a Madri, embora ...
b) Não votarei nesse candidato, caso ...
c) Acalmavam-se as ondas, à proporção que ...
d) Eles me procuraram, mas ...
e) Eles não procuram trabalhar, por mais que ...
f) Gumersindo falou tão bem, que ...
g) Meu time tem de ganhar amanhã, nem que ...
h) Não passou o ano, posto que ...
i) Ela começou a chorar, mal ...
j) Divirtam-se bastante, porque ...
Leia os textos abaixo para responder às questões.
Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
Gonçalves Dias – 1857, “Primeiros cantos”
Canção do
exílio
Minha
terra tem campos de futebol onde cadáveres amanhecem emborcados pra
atrapalhar os jogos. Tem uma pedrinha cor-de-bile que faz
"tuim" na cabeça da gente. Tem também muros de bloco (sem pintura, é
claro, que tinta é a maior frescura quando falta mistura), onde
pousam cacos de vidro pra espantar malaco. Minha terra tem HK, AR15, M21,
45 e 38 (na minha terra, 32 é uma piada). As sirenes que aqui apitam, apitam de
repente e sem hora marcada. Elas não são mais as das fábricas, que fecharam.
São mesmo é dos camburões, que vêm fazer aleijados, trazer tranquilidade e
aflição.
(BONASSI, Fernando. 15 cenas de descobrimento de Brasis. In: MORICONI, Ítalo (Org.). Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio Janeiro: Objetiva, 2000. p. 607.)
VOCABULÁRIO
emborcado: colocado
de bruços, de boca para baixo; despejado, tombado.
cor-de-bile: esverdeado
ou amarelado.
frescura: gíria
popular com o significado de coisa sem valor, dispensável.
mistura: gíria
popular indicando ingredientes para o almoço ou jantar (carne, verduras, legumes
etc.).
malaco: gíria
com o significado de marginal, bandido,ladrão.
1. Esse
texto dialoga diretamente com o poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias.
Fernando Bonassi fez uma paródia ou uma paráfrase desse poema?
Justifique.
2. Qual
é o tema central desse microconto?
3. Registre
falso ou verdadeiro para cada uma das alternativas a seguir:
a) O
texto de Bonassi dialoga com o noticiário policial.
b) A
divisão em cenas - cena 9, por exemplo - remete à linguagem
cinematográfica.
c) O
autor denuncia o degredo de cidadãos brasileiros em solo pátrio.
d) Ele
reafirma a visão ufanista do romântico Gonçalves Dias.
4. Explique as denúncias expressas em cada uma das seguintes passagens:
a)"Minha
terra tem campos de futebol onde cadáveres amanhecem emborcados pra atrapalhar
os jogos."
b) "Tem
uma pedrinha cor-de-bile que faz 'tuim' na cabeça da gente."
c) "Tem
também muros de bloco (sem pintura, e claro, que tinta é a maior frescura
quando falta mistura), onde pousam cacos de vidro pra espantar malaco."
d) "[...]
tem HK, AR 15, M21, 45 e 38 (na minha terra, 32 é uma piada)."
e) "As
sirenes [...] não são mais as das fábricas, que fecharam."
f) "São
mesmo é dos camburões, que vêm fazer aleijados, trazer tranquilidade e
aflição."
Leia o poema abaixo para responder às questões 1, 2 e 3:
A Cristo Nosso Senhor crucificado estando o poeta na última hora de sua vida
Gregório de Matos
1) Que características da
literatura barroca podemos perceber no poema acima?
2) A religiosidade
católico-cristã cultivada no contexto da Contarreforma manifesta-se em diversos
poemas barrocos por meio de uma linguagem ornamentada, repleta de imagens.
a) Na primeira estrofe do
texto 1, o que o eu lírico declara a Jesus? Comprove sua resposta com elementos
do texto.
b) Nessa estrofe, a cruz, importante
símbolo do cristianismo, é retratada por meio de uma figura de linguagem.
Identifique e explique essa figura.
c) No quarto verso dessa
estrofe, o eu lírico finaliza com uma figura de linguagem a declaração que faz
a Jesus. Qual é essa figura? Que efeito de sentido ela produz na primeira
estrofe?
3) No poema, ao sentir que o
fim de sua vida se aproxima, o eu lírico, nas duas últimas estrofes, busca a
salvação de sua alma por meio de uma argumentação.
a) Que argumento o eu lírico
utiliza na terceira estrofe?
b) Na última estrofe, o eu
lírico conclui que há esperança para sua salvação. Como ele chega a essa
conclusão?
Leia o poema abaixo para responder à questão 4.
Ao
valimento que tem o mentir
Mau
ofício é mentir, mas proveitoso...
Tanta
mentira, tanta utilidade
Traz
consigo o mentir nesta cidade
Como
o diz o mais triste mentiroso.
Eu,
como um ignorante e um baboso,
Me
pus a verdadeiro, por vaidade;
Todo
o meu cabedal meti em verdade
E
saí do negócio perdidoso
Perdi
o principal, que eram verdades,
Perdi
os interesses de estimar-me,
Perdi-me
a mim em tanta soledade;
Deram
os meus amigos em deixar-me,
Cobrei
ódios e inimizades...
Eu
me meto a mentir e a aproveitar-me.
Gregório
de Matos
4- O barroco apresenta duas vertentes: o cultismo, caracterizado pela linguagem rebuscada e extravagante, pelos jogos de palavras; e o conceptismo, marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico. O poema de Gregório de Matos, exemplo da estética barroca, insere-se em uma dessas vertentes. Identifique-a e justifique sua resposta.
Leia o texto atentamente para responder à questão 5.
Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te,
Te
lembra hoje Deus por sua Igreja;
De
pó te faz espelho, em que se veja
A
vil matéria, de que quis formar-te.
Lembra-te
Deus, que és pó para humilhar-te,
E
como o teu baixel sempre fraqueja
Nos
mares da vaidade, onde peleja,
Te
põe à vista a terra, onde salvar-te.
Alerta,
alerta, pois, que o vento berra.
Se
assopra a vaidade e incha o pano,
Na
proa a terra tens, amaina e ferra.
Todo
o lenho mortal, baixel humano,
Se
busca a salvação, tome hoje terra,
Que
a terra de hoje é porto soberano.
Gregório
de Matos
5- Gregório
de Matos expressou em sua obra toda a tensão do século XVII, ao abordar os
temas predominantes do Barroco. Identifique no poema elementos que atestam o comprometimento
do poeta com o respectivo momento literário.
Texto para a questão 6.
Descreve o que era realmente naquele tempo a cidade da Bahia
A
cada canto um grande conselheiro,
Que
nos quer governar cabana e vinha;
Não
sabem governar sua cozinha,
E
podem governar o mundo inteiro.
Em
cada porta um bem frequente olheiro,
Que
a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa,
escuta, espreita e esquadrinha,
Para
o levar à praça e ao terreiro.
Muitos
mulatos desavergonhados,
Trazidos
sob os pés os homens nobres,
Posta
nas palmas toda a picardia,
Estupendas
usuras nos mercados,
Todos
os que não furtam muito pobres:
E
eis aqui a cidade da Bahia.
Gregório
de Matos
6- Neste
poema, o autor barroco vai revelando, de forma contundente, um panorama da Bahia
do século XVII. Sua crítica se refere, de modo geral
a)
à arrogância e ao autoritarismo dos políticos, que não conseguem sequer
governar a própria vida.
b)
à forma como os pobres, que não furtam, são tratados pelos aproveitadores,
sejam governantes ou não.
c)
à ousadia dos governantes e à escravidão, que humilhava os negros e mulatos e
envergonhava o país.
d)
aos maus costumes dos governantes e comerciantes, que vivem de intrigas e
usuras.
e)
aos péssimos costumes e comportamentos da população em geral, independentemente
do estrato ou posição social.
Texto para a questão 7.
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto
estamos vendo a qualquer hora
Em
tuas faces a rosada Aurora,
Em
teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto
com gentil descortesia
O
ar, que fresco Adônis te namora,
Te
espalha a rica trança voadora,
Quando
vem passear-te pela fria:
Goza,
goza da flor da mocidade,
Que
o tempo trota a toda ligeireza,
E
imprime em toda a flor sua pisada.
Oh,
não aguardes, que a madura idade
Te
converta em flor, essa beleza
Em
terra, em cinza, em pó, em sobra, em nada.
Gregório
de Matos
Acerca
da(s) característica(s) barroca(s) presente(s) no texto de Gregório de Matos, destaca(m)-se.
I.
Uso de linguagem vulgar e tratamento impiedoso às
pessoas
de sua época.
II.
Uso das figuras de linguagem antítese e paradoxo,
evidenciando
a oposição de ideias.
III.
Desenvolvimento do tema clássico locus amoenus (lugar tranquilo, agradável,
onde se encontram os amantes).
7- Pode(m)
ser apontada(s) como característica(s) barroca(s) presente(s) no texto de
Gregório de Matos apenas:
a)
I.
b)
II.
c)
III.
d)
II e III.
Leia o poema para responder ao que se pede.
Goze a corte o ambicioso
de
aplausos, e vaidades,
que
eu cá nestas soledades
o
melhor descanso gozo:
aqui
vivo cuidadoso
de
descuidos, e este estado
julgo
bem-aventurado,
que
o melhor estado, cuido,
é
aquele, em que o descuido
vem
a ser todo o cuidado.
Gregório
de Matos
8- Gregório de Matos foi um dos mais notáveis poetas do Barroco em língua portuguesa, especialmente por possuir independência de pensamento e sofisticada capacidade de escrita. Para criticar homens vaidosos e ambiciosos de seu tempo, o poeta usa uma fi gura de linguagem cara a muitos textos barrocos. Essa figura é:
a)
a metáfora, empregada várias vezes como forma de comparar os bons e os maus.
b)
a elipse, usada para camuflar a identidade daqueles a quem procura criticar.
c)
a prosopopeia, utilizada para personificar vários sentimentos negativos.
d)
o hipérbato, inversões sintáticas que reforçam o contraste entre o poeta e os
criticados.
e)
a ironia, recurso útil para expressar sua vida marcada por escândalos e
inimizades.
O soneto “No fluxo e refluxo da maré encontra o poeta incentivo pra recordar seus males”, de Gregório de Matos, apresenta características marcantes do poeta e do período em que ele o escreveu.
Seis
horas enche e outras tantas vaza
A
maré pelas margens do Oceano,
E
não larga a tarefa um ponto no ano,
Depois
que o mar rodeia, o sol abrasa.
Desde
a esfera primeira opaca, ou rasa
A
Lua com impulso soberano
Engole
o mar por um secreto cano,
E
quando o mar vomita, o mundo arrasa.
Muda-se
o tempo, e suas temperanças.
Até
o céu se muda, a terra, os mares,
E
tudo está sujeito a mil mudanças.
Só
eu, que todo o fim de meus pesares
Eram
de algum minguante as esperanças,
Nunca
o minguante vi de meus azares.
9- De
acordo com o poema, é correto afirmar:
a)
A temática barroca do desconcerto do mundo está representada no poema, uma vez
que as coisas do mundo estão em desarmonia entre si.
b)
A transitoriedade das coisas terrenas está em oposição ao caráter imutável do
sujeito, submetido a uma concepção fatalista do destino humano.
c)
A concepção de um mundo às avessas está figurada no soneto através da clara
oposição entre o mar que tudo move e a lua imutável.
d)
A clareza empregada para exposição do tema reforça o ideal de simplicidade e
bucolismo da poesia barroca, cujo lema fundamental era a áurea mediocritas.
e)
A sintonia entre a natureza e o eu-poético embasa as personificações de objetos
inanimados aliadas às hipérboles que descrevem o sujeito.
Leia o fragmento do Sermão da sexagésima, do padre Antônio
Vieira, para responder à questão 10.
“Por isso são maus ouvintes os de entendimentos agudos. Mas
os de vontades endurecidas ainda são piores, porque um entendimento agudo
pode-se ferir pelos mesmos fios e vencer-se uma agudeza com outra maior; mas contra
vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais, porque
quando as setas são mais agudas, tanto mais facilmente se despontam na pedra.
Oh! Deus nos livre de vontades endurecidas, que ainda são piores que as pedras.”
VIEIRA, Antônio. Sermões escolhidos. São Paulo: Martin
Claret, p. 84.
10- Sobre o sermão, seu autor e o trecho reproduzido, assinale a
afirmação correta.
a) De acordo com o trecho em questão, os piores ouvintes são aqueles de entendimento agudo, porque as setas agudas se despontam na pedra.
b) Neste sermão, Vieira faz uma crítica aos sermões rebuscados
e incompreensíveis e ensina a arte de pregar.
c) O trecho exemplifica a preferência de Vieira pelo jogo de palavras e pelo exagero formal.
d) Vieira afirma que é mais fácil falar para aqueles que têm
“vontades endurecidas”. Basta que se use argumentos agudos.
e) O sermão, cuja premissa é a “Parábola do semeador”, alega
que as pedras são “solo fértil” para pregar; basta que o pregador use palavras
duras (agudas) como setas, que rompem a pedra com as suas pontas.
Leia e responda.
“Não é o homem um mundo pequeno que está dentro do mundo grande, mas é um mundo grande que está dentro do pequeno. Baste por prova o coração humano, que sendo uma pequena parte do homem, excede na capacidade a toda a grandeza do mundo. [...] O mar, com ser um monstro indômito, chegando às areias, para; as árvores, onde as põem, não se mudam; os peixes contentam-se com o mar, as aves com o ar, os outros animais com a terra. Pelo contrário, o homem, monstro ou quimera de todos os elementos, em nenhum lugar para, com nenhuma fortuna se contenta, nenhuma ambição ou apetite o falta: tudo confunde e como é maior que o mundo, não cabe nele.”
11- Podemos reconhecer nesse trecho do padre Antônio Vieira:
a) o caráter argumentativo típico do estilo barroco (século
XVII).
b) a pureza de linguagem e o estilo rebuscado do escritor árcade
(século XVIII).
c) uma visão de mundo centrada no homem, própria da época
romântica (princípio do século XIX).
d) o racionalismo comum dos escritores da escola realista (fim
do século XIX).
e) a consciência da destruição da natureza pelo homem, típica
de um escritor moderno (século XX).
Sermão da Sexagésima
Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos
pregadores como hoje. Pois se tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão
pouco o fruto? Não há um homem que em um sermão entre em si e se resolva, não
há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto?
Assim como Deus não é hoje menos onipotente, assim a sua palavra não é hoje
menos poderosa do que dantes era. Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se
a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, por que não vemos hoje nenhum
fruto da palavra de Deus? Esta, tão grande e tão importante dúvida, será a
matéria do sermão. Quero começar pregando-me a mim. A mim será, e também a vós;
a mim, para aprender a pregar; a vós, que aprendais a ouvir.
VIEIRA, A. Sermões escolhidos. V. 2. São Paulo: Edameris,
1965.
12- No Sermão da sexagésima, padre Antônio Vieira questiona a
eficácia das pregações. Para tanto, apresenta como estratégia discursiva
sucessivas interrogações, as quais têm por objetivo principal:
a) provocar a necessidade e o interesse dos fiéis sobre o conteúdo que será abordado no sermão.
b) conduzir o interlocutor à sua própria reflexão sobre os temas
abordados nas pregações.
c) apresentar questionamentos para os quais a Igreja não possui
respostas.
d) inserir argumentos à tese defendida pelo pregador sobre a
eficácia das pregações.
e) questionar a importância das pregações feitas pela Igreja
durante os sermões.
“A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos
comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda
maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os
pequenos. [...] Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a
fealdade deste escândalo mostrou-lhes nos peixes; e eu, que prego aos peixes,
para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens. Olhai,
peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais
os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá; para a cidade é que
haveis de olhar. Cuidais que só os tapuias se comem uns aos outros, muito maior
açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vedes vós todo aquele bulir,
vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas:
vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação
nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão de comer, e
como se hão de comer. [...] Diz Deus que comem os homens não só o seu povo,
senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os plebeus, que
são os mais pequenos, os que menos podem, e os que menos avultam na república,
estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, senão que os
engolem e os devoram: Qui devorant. Porque os grandes que têm o mando das
cidades e das províncias, não se contenta a sua fome de comer os pequenos um
por um, poucos a poucos, senão que devoram e engolem os povos inteiros: Qui
devorant plebem meam. E de que modo se devoram e comem? Ut cibum panis: não
como os outros comeres, senão como pão. A diferença que há entre o pão e os
outros comeres é que, para a carne, há dias de carne, e para o peixe, dias de
peixe, e para as frutas, diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos
os dias, que sempre e continuadamente se come: e isto é o que padecem os
pequenos. São o pão cotidiano dos grandes: e assim como pão se come com tudo,
assim com tudo, e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo, nem
fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não
defraudem, em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant plebem meam, ut
cibum panis. Parece-vos bem isto, peixes?"
Antônio Vieira. Essencial.
13- No sermão, Vieira critica:
a) a preguiça desmesurada dos miseráveis.
b) a falta de ambição dos miseráveis.
c) a ganância excessiva dos poderosos.
d) o excesso de humildade dos miseráveis.
e) o excesso de vaidade dos poderosos.
Leia para responder.
[...] Vai o navio navegando e o marinheiro dormindo, e o voador toca na vela, ou na corda, e cai palpitando. Aos outros peixes mata-os a fome e engana-os a isca, ao voador mata-o a vaidade de voar, e a sua isca é o vento. Quanto melhor lhe fora mergulhar por baixo da quilha e viver, que voar por cima das antenas e cair morto! [...] O voador fê-lo Deus peixe, e ele quis ser ave, e permite o mesmo Deus que tenha os perigos de ave e mais os de peixe. Todas as velas para ele são redes, como peixe, e todas as cordas laços, como ave. Vê, voador, como correu pela posta o teu castigo. Pouco há, nadavas vivo no mar com as barbatanas, e agora jazes em um convés, amortalhado nas asas. Não contente com ser peixe, quiseste ser ave, e já não és ave nem peixe: nem voar poderás já, nem nadar.[...]
VIEIRA, Antônio. Os voadores. Vieira: trechos escolhidos.
Seleção de Eugênio Gomes. Rio de Janeiro: Agir, 1971. p. 64.
(Coleção Nossos Clássicos).
14- Pe. Antônio Vieira, por meio de uma linguagem metafórica,
faz uma reflexão crítica acerca:
a) da imortalidade.
b) da hipocrisia.
c) do egoísmo.
d) da ambição.
e) da injustiça.
Leia o poema abaixo para responder às questões 1 a 3.
Cais matutino
Mercado do peixe, mercado da aurora:
Cantigas, apelos, pregões e risadas
À proa dos barcos que chegam de fora.
Cordames e redes dormindo no fundo;
À popa estendidas, as velas molhadas;
Foi noite de chuva nos mares do mundo.
Pureza do largo, pureza da aurora.
Há viscos de sangue no solo da feira.
Se eu tivesse um barco, partiria agora.
O longe que aspiro no vento salgado
Tem gosto de um corpo que cintila e cheira
Para mim sozinho, num mar ignorado.
Ribeiro Couto
1- Rico em imagens e aspectos sensoriais, o poema descreve o amanhecer.
a) Que local é descrito no poema
b) Que palavras são responsáveis pelas sugestões visuais sobre o local?
c) E quais são responsáveis pelas sugestões sonoras?
d) E quais pelas sugestões táteis?
e) E pelas sugestões gustativas?
2) Como o eu lírico se sente em relação a tudo a que assiste?
3) Observe a estrutura formal do poema.
a) Quantas estrofes ele apresenta?
b) Quantos versos há em cada estrofe?
c) Que outros recursos do gênero poema podem ser constatados? Justifique com fragmentos do texto.
Leia o texto abaixo para responder às questões 4 a 12.
Soneto da fidelidade
De
tudo, ao meu amor serei atento
Antes,
e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que
mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero
vive-lo em cada vão momento
E
em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao
seu pesar ou seu contentamento.
E
assim, quando mais tarde me procure
Quem
sabe a morte, angústia de quem vive
Quem
sabe a solidão, fim de quem ama
Eu
possa me dizer do amor (que tive):
Que
não seja imortal, posto que é chama
Mas
que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes
4- Por que esse texto pode ser considerado um poema?
5-
Nesse consagrado poema, qual o sentimento evidenciado?
6- Na 2ª estrofe, o eu lírico afirma que vai
dedicar-se à pessoa amada nos mais diferentes momentos da vida. Quais são esses
momentos?
7- O que representa uma chama? Como podemos associar essa palavra ao amor
para compreendermos, o verso “que não seja imortal, posto que é chama”?
8-
O que você entende por “Mas que seja infinito enquanto dure”?
9- Relacionando o conteúdo do poema com a realidade
atual, você acha que é possível alguém ser tão fiel a outrem como nos coloca o
poeta? Por quê?
10- Por que, de acordo com o texto, a morte é a angústia de quem vive, e a
solidão é o fim de quem ama?
11- O poema se intitula “Soneto de Fidelidade”. Qual ou quais dos itens
seguintes traduzem melhor o conceito de fidelidade e de amor no texto?
a) Fidelidade
é entrega total à pessoa amada e renúncia a outras possibilidades amorosas.
b) Fidelidade
é uma exclusividade amorosa que deve durar para sempre.
c) O
amor não é eterno, mas, enquanto dura, deve-se ser fiel a ele de forma intensa
e qualitativamente infinita.
d) Só
há fidelidade no amor quando ele é infinitamente duradouro, embora ele possa um
dia acabar.
12- Além da função poética, que outra função da
linguagem aparece com evidência no texto lido? Justifique sua resposta
transcrevendo um verso do poema.
13-
Apesar de não apresentarem rimas e divisão em estrofes, pode-se dizer que os
textos abaixo também podem ser considerados poemas? Justifique.
Texto
I
Impressionista
Uma
ocasião,
meu
pai pintou a casa toda de alaranjado brilhante.
Por
muito tempo moramos numa casa,
como
ele mesmo dizia,
constantemente
amanhecendo.
Adélia
Prado
Texto II
O rio que fazia uma volta
atrás da nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta
atrás de casa casa
Tempo depois
Passou um homem e disse:
Essa volta que o rio faz atrás de sua casa
se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro mole
que fazia uma volta atrás da casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
Manoel de Barros
✅ O que é Ambiguidade? A ambiguidade , também conhecida como anfibologia , ocorre quando uma frase, expressão ou palavra permite mais d...